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Shelf

Repensando a leitura como um hábito coletivo.

Ano
2026
Função
Product Designer
Ferramentas
Figma
Status
Concluído
Time
André CarvalhoJuliana KuniyoshiManuella AraujoVinicius RochaYago Sanderson

Visão geral

O Shelf é um app de leitura pensado para incentivar as pessoas a ler mais e a se conectar com outras enquanto leem. Dá para acompanhar os próprios livros, descobrir novos títulos e entrar em grupos de leitura.

Foi desenvolvido no curso de Design de Produtos Digitais da Aprender Design, por um time de cinco designers. O ponto de partida foi uma realidade preocupante:

53%

dos brasileiros não tinham lido nem parte de um livro nos três meses anteriores a uma pesquisa nacional: a primeira vez em que os não leitores viraram maioria.

Em vez de mais um app de controle, perguntamos
E se ler parecesse menos uma conquista pessoal e mais algo que a gente faz junto?

Meu papel

Uma de cinco designers. Trabalhei na fase de pesquisa (análise de concorrentes, entrevistas com personas sintéticas via IA e fluxos de usuário) e contribuí com a ideação e o design, com foco nas telas de Convite, Perfil do clube e Leitura atual, além das explorações do Recap.

Mapeando o mercado

Antes de falar com leitores, mapeamos os apps que eles já usam: onde cada um fica entre a leitura social e a individual, e entre descoberta e organização.

Matriz de posicionamento dos apps de leitura: social x individual, descoberta x organização da leitura
Tabela de análise de concorrentes: Google Play Books, Kindle, Goodreads, Skeelo e Skoob comparados por funcionalidades básicas, diferencial principal, diferenciais de produto e principal força

Mapeando o cenário de concorrentes: onde os apps de leitura ficam em engajamento social e organização de conteúdo.

Quem lê e quem desistiu

A partir de dados reais de entrevistas fornecidos pelo curso, criamos personas sintéticas que representam três perfis distintos de leitores. Depois, simulamos conversas com essas personas usando IA para explorar hipóteses, questionar suposições e encontrar possíveis caminhos de design.

  • Padrão

    A comunidade funciona como plateia, não como conversa

    Um dos padrões que apareceram nas entrevistas.

  • Divisão

    “Strava da leitura”

    O conceito dividiu muito as reações: motivador para uns, gerador de ansiedade para outros.

A hipótese
Ler em grupo com uma estrutura leve aumenta a frequência de leitura sem aumentar a ansiedade.

Design

Se a comunidade já existe como uma motivação latente, mas as ferramentas acabam sendo usadas para se exibir e não para se conectar, o Shelf poderia transformar a leitura numa experiência coletiva sem transformá-la em competição.

  1. 01

    O convite

    A entrada é um convite. Uma notificação, uma splash, a capa de um livro, um clube para entrar. A cor vem da capa do livro, então cada convite carrega o clima do livro.

  1. 02

    Leitura atual

    O centro de tudo. Progresso, sincronização com a agenda, discussões e marcação de páginas, tudo ligado a um livro específico que um grupo específico está lendo junto. A experiência individual e a coletiva vivem na mesma tela.

Um convite para entrar. Da notificação à página do clube, o primeiro contato com um grupo de leitura já em andamento.
Progresso, agenda, discussões, informações. Tudo ligado a um livro, um grupo, uma leitura em comum.
  1. 03

    Salas de discussão

    As salas de discussão transformam a leitura passiva em troca ativa. Os destaques viram pontos de partida para conversas. Uma citação do livro vira um tópico. A comunidade deixa de ser um palco e passa a ser uma sala.

  1. 04

    O clube se atualiza

    Quando você marca o livro como terminado, a sua página do clube muda para mostrar o evento que o clube criou para encerrá-lo, como um encontro, para você adicionar à sua agenda. Os planos do grupo ficam onde a leitura acontece.

Discussões do clube.
Marcar o livro como terminado mostra o evento de encerramento do clube, pronto para ir para a agenda.
  1. 05

    O Recap

    A parte mais experimental. Exploramos uma narrativa no estilo do Spotify Wrapped antes de chegar a uma versão pessoal, sem parecer exibição.

  1. 06

    Tudo o que o grupo viveu junto

    Cada número virou uma analogia, para o recap parecer uma história e não um relatório.Horas em chamada: o mesmo que um voo de São Paulo a Munique.Mensagens: o suficiente para encher um livro inteiro.Livros empilhados: da altura de um violão.

Resultado

O Shelf terminou como um protótipo com o design completo, do fluxo de entrada ao Recap, com um ponto de vista claro: clubes de leitura, não apps de controle. Ele mostrou que uma experiência de leitura social pode ser leve e pessoal sem depender de gamificação ou de métricas de desempenho.

Reflexão

Usar IA para simular entrevistas com usuários abriu uma nova forma de pensar o lugar da ferramenta na pesquisa: não como substituta de conversas reais, mas como um jeito de testar suposições cedo, antes de pular para soluções. E ela só é tão boa quanto as perguntas que você leva até ela.

Se eu continuasse, testaria a hipótese com grupos de leitura de verdade, não para validar o design, mas para ver se a estrutura se sustenta quando pessoas reais trazem livros reais e agendas reais para dentro dela.